25 de fevereiro de 2013

Aviso

Bem, mais uma vez confirmando outro blog, já que o Finisticamente Falando foi-se à vida. Segue agora o último (assim espero)

Blog dos Baptista

Até lá!

28 de novembro de 2010

Atividades encerradas

Bem, como já deu para notar, este Blog já não é atualizado há bastante tempo. Então venho por este formalizar o enceramento dos trabalhos. O Desenformando continua com link ativo, mas sem novo conteúdo.

O irmão mais novo é quem recebe agora o conteúdo: Finisticamente Falando

Obrigado a quem alguma vez leu este Blog ou a quem nem leu (não perdeu muito).

Até!

11 de dezembro de 2008

Usar ou não usar? Eis a questão.

Link da foto

Dica para antes da leitura: Clique nos Link's dentro do texto para melhor compreensão do conteúdo.

Nos últimos dias, algumas pessoas têm me perguntado sobre o uso das algemas quando é declarada a voz de prisão, isto devido ao processo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, onde o mesmo foi algemado. Dantas é acusado de lavagem de dinheiro, grampo telefônico, suborno, corrupção, entre outros.
Prontamente, após o episódio, o Supremo Tribunal Federal (STF) manisfestou-se contra tal fato e editou uma Súmula Vinculante, onde só se deve usar as algemas em casos "excepcionais", ou seja, quando este acusado oferecer resistência e for declaro perigoso aos agentes e a terceiros como por exemplo.
Mas o porém está na pergunta: esse tipo de determinação é aplicada a todos? Neste caso, todos são iguais perante a lei? Ou há sempre o favorecimento aos que desfrutam do colarinho branco?
Quem nunca viu um acusado ser levado ao chamado "mata leão" por um policial? Para refrescar a memória... Lembram-se do caso de menino João Hélio que foi arrastado pelo carro por bandidos? Lembro bem de um dos acusados ser agarrado pelo pescoço (foto do início da postagem. Não lembra aqueles circo dos horrores?), e, algum tempo depois, foi provado que este não estava envolvido com o homicídio.
O ordenamento jurídico brasileiro adotou o princípio de que o acusado só é declarado culpado após ser julgado e condenado, esgotado-se os recursos possíveis. Então, até que isto ocorra, ele é apenas "acusado".
Penso que o uso da força, neste caso, o uso das algemas, só deva ser usado em decorrência de fatores excepcionais, como descreve a Súmula Vinculante, mas o mesmo deve ser aplicado a todos, sendo vedadas as situações previstas na Constituição Federal.
O que não faltam são divergências entre a jurisprudência e a realidade. Vale lembrar que muitos fatores sociais não foram abordados aqui, caso fossem, este texto não teria fim.
Fica então ai a pergunta: Algema ou não algema? Eis a questão...

3 de novembro de 2008

A Cibernética e o Direito


Autor: Tadeu Baptista

INTRODUÇÃO

A sociedade passou – e passa – por uma grande transformação ao longo dos dois últimos séculos, principalmente no que diz respeito ao conhecimento científico. A aplicação destas novas descobertas fez com que o homem descobrisse o potencial do poder de criação que há em suas próprias mãos e mentes.
A influencia destas novas descobertas refletiram-se em vários ramos do conhecimento, criando novas ciências e novas teorias acerca do funcionamento social, tecnológico, artístico, jurídico, entre outros. O desenvolvimento industrial é um dos reflexos desta nova visão científica do universo natural e cultural, e o advento das máquinas foi de fundamental importância nesse processo.
Assim como novas ciências foram criadas, as já existentes passaram por um grande processo de evolução e transformação, o mesmo aconteceu com o Direito, que criou vínculos com outros ramos do conhecimento. Um destes vínculos diz respeito à Cibernética, que estuda a relação da comunicação de comandos em sistemas, sejam eles orgânicos, humanos ou em máquinas.
Vem desta relação a importância do estudo da influência da Cibernética na ordem jurídica, tanto na prática quanto na teórica. Novos termos, como por exemplo juscibernética, fazem parte hoje da metodologia do Direito.

CIBERNÉTICA: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO

A Cibernética, que hoje assume status de ciência, interligada a diversos ramos do conhecimento, passou por um processo de desenvolvimento ao longo do século XX, iniciado pelo célebre livro Cibernética e Sociedade (1948), do matemático Norbet Wiener, considerado entre muitos especialista como o “pai” da Cibernética, Wiener definiu-a como um estudo e técnica de controle entre no animal e nas máquinas, uma espécie de sistema onde comandos são executados dentro de um sistema.
O termo Cibernética (kubernêtes ou kibernetiké) já é detectado nos diálogos de Platão, onde a palavra significa “piloto” “timoneiro”, fazendo-se referência a arte de governar, de “pilotar ou guiar os homens”. No livro Górgias ele diz: "A cibernética salva dos maiores perigos não apenas as almas, mas também os corpos e os bens".
Os antecessores a Wiener já haviam usado o termo “cibernética”, mas não com o caráter de automação, onde ordens são executadas automaticamente, mas como um instrumento do que assegurava aos cidadãos o uso dos benefícios do mundo, com características políticas (físico francês Ampère, no século XVII), e como mecanismo de repetição (do físico inglês James Clerk Maxwell, em meados do século XIX) ligadas ao eletromagnetismo.
Wiener, através dos seus estudos e teorias, onde expõe a regulação de entes de um sistema, onde todos os entes agem entre si, e estes sistemas têm autonomia, sejam eles orgânicos ou de maquinas. A grande descoberta de Wiener esta relacionada a não somente uma linguagem do comando, mas a comunicação que o mecanismo do comando exerce no sistema, e a relação entre a mecânica e a fisiologia.
Durante o período da Guerra fria (décadas e 50 a 80), onde a busca ideológica, política e militar entre os países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos da América (EUA), e socialistas, liderados pela antiga União Soviética (URSS) proporcionou o grande desenvolvimento da cibernética. Este avanço na tecnologia foi condicionado e condicionou intimamente a cibernética, culminando nos dias atuais com modelos tecnológicos modernos ligados a robótica e a inteligência artificial.
A Cibernética relaciona-se com muitas outras ciência, sejam elas Ciências Humanas ou Culturais (Sociologia, Psicologia e Direito), Ciências Naturais (Biologia e Física), ou Ciências Exatas (Informática).
A Contemporaneidade é marcada pelo desenvolvimento tecnológico iniciado na Modernidade. O avanço e aperfeiçoamento tecnológico atribuiu características humanas às máquinas, e a substituição do trabalho físico pelo intelectual: a automação estimula a troca da energia física – que passa a ser desempenha pelas máquinas – pela energia intelectual – que produz a tecnologia. Isto é percebido quando se remota ao século XIX, onde máquinas assumem o papel dos homens nas fábricas.
Esta criação (é possível chamá-la de criatura), que passou – e passa – por um processo evolutivo na Contemporaneidade, assume, definitivamente, características humanas, que permite a máquina executar comandos previamente estabelecidos pelo homem, como acontece com máquinas de inteligência artificial, que são capazes de decisões – não esquecendo que estas mesmas decisões são disponibilizadas pela mente humana. Como expõe Flamarion: “humanizar a máquina é dotá-la de um padrão mental que se identifica com o humano” (Os Nervos do Poder: 95). É a humanização da máquina.
Sabe-se que hoje as máquinas assumem um papeis importantíssimos na sociedade, sejam eles profissionais, intelectuais ou de lazer, e falar sobre sociedade é referir-se às relações humanas, relações estas patrocinadas pelo Direito, que por sua vez interliga-se a Cibernética.

CIBERNÉTICA E O DIREITO

À tecnologia é atribuído um caráter dinâmico, devido ao contínuo avanço dos métodos de desenvolvimento e necessidades sociais. Atrelado a isto, nota-se uma maior e crescente dependência humana destas máquinas, que hoje estão em todos os seguimentos da sociedade. A dinamicidade fez com que as máquinas, que antes tinham características apenas mecânicas, hoje assumissem, dentro de limitações, características orgânicas do Homem. É o caso dos robôs com inteligência artificial, que executam comandos baseados em suas próprias escolhas, que são limitadas pela própria limitação da máquina.
Como o Direito faz parte deste toldo social, inevitavelmente a “nova tecnologia” relaciona-se com a ordem jurídica. O campo de atuação é extenso, e, pelo caráter dinâmico, esta é intrínseca, tanto o é que hoje existe uma disciplina jurídica chamada de Direito da Informática, dada a necessidade de acompanhar o desenvolvimento e englobada relação. E sabe-se que esta nova disciplina, onde há a junção de duas ciências, a jurídica e a da informática, contem um tema comum: cibernética. Mas a Cibernética é uma ciência que tem campo de atuação maior que a Informática, e “poderíamos dizer que a Informática é uma espécie do género Cibernética” (Flamarion: 116).
Antes de adentrar na questão da cibernética, é necessário uma breve distinção entre Direito da Informática e a Informática do Direito. A primeira é a regulamentação da informática através do Direito, como pró exemplo uma legislação específica sobre a informática; a segunda é o uso da informática pelo Direito, como por exemplo o uso de banco de dados informatizados.
Há uma mescla entre informática e cibernética no campo jurídico que se mostra de várias formas: banco de dados de processos; circulação da legislação através de meios informatizados, que facilitam a informação dos dispositivos legais com mais facilidade; “a possibilidade de uma máquina substituir um juiz no momento da decisão. Teríamos, assim, um ‘juiz-robô’” (Flamarion: 119).
Aos autores, como Perez Luño, focalizam a relação da cibernética com o Direito em três ramos do Direito, sejam eles: Sociologia Jurídica, Dogmática Jurídica e Filosofia Jurídica.
A relação com a Sociologia Jurídica se dá quando a Cibernética é designada como a teoria dos sistemas de controle e regulação, permitindo o uso de seus métodos e análises quantitativas dos fatos jurídicos; A relação com a Dogmática Jurídica se dá quando a cibernética assume o caráter de teoria da informação, proporcionando instrumentos tecnológicos que permitem, de forma sistemática, o domínio das normas jurídicas; A relação com a Filosofia Jurídica se dá quando ela assume o papel de teoria dos sistemas e das relações entre os sistemas projetada no Direito, onde a cibernética permite elaborar os modelos da Filosofia do Direito. (Flamarion: 117).
As tentativas de aproximação entre o Direito e este avanço tecnológico foram são datadas do final da década de quarenta do século passado, atribuindo-se ao advogado americano Lee Loevinger o artigo intitulado de Jurismetrics, onde ele defende os princípios da jurismetria, que era a tentativa de aplicar ao Direito todo o desenvolvimento dos métodos da ciência ao Direito. No que diz respeito ao avanço do que hoje conhecemos como informática, essa tentativa consistia usar a lógica simbólica no campo jurídico, auxiliar o Direito através de um processamento eletrônico e criar possibilidades de decisões judiciais (tal tentativa de associação da cibernética ao Direito já havia sido feita por Wierner, mas sem referências a máquinas eletrônicas).
Ao contrário de Loevinger, Mario Giuseppe Losano cria o termo Juscibernética, na tentativa de generalizar toda relação da cibernética com o Direito. Segundo suas palavras “Direito pode ser estudado de pontos de vista mais ou menos genéricos: o sistema jurídico como parte integrante do sistema social; a estrutura do próprio sistema jurídico; a estrutura de vários elementos que compõem o sistema jurídico” (Grandes Sistemas Jurídicos: 2007). É uma organização onde o Direito é um sub-sistema do sistema social, e a norma jurídica sub-sistema do sistema Direito. Prossegue Losano: “ a aplicação da lógica e de outras técnicas de formalização do Direito, com o fim chegar-se a um concreto uso do computador” (2007).
Para Losano, um sistema jurídico, onde as normas são mudadas constitucionalmente, essa aplicação de sentenças e comando cibernéticos é impossibilitado pela constante modificação nas normas jurídicas. Esta visão de impossibilidade de aplicação da cibernética feita por Losano é contrariada por Perez Luño, ao afirmar que em Estados onde as leis são criadas pelo legislativo há sim a possibilidade de aplicação da previsibilidade das sentenças jurídicas.
Percebe-se hoje a grande influência das teorias sobre a cibernética e a relação com o Direito. Esta relação tem a tendência de ser ampliada com o passar dos anos. Visto a importância da cibernética na ordem jurídica, e em especial a toda sociedade, este tema deve ser sempre abordado com total atenção a futuras projeções nas relações humanas, tanto entre homens, quanto entre homem e máquina.

BIBLIOGRAFIA

LEITE, Flamarion Tavares. Os nervos do poder – uma visão cibernética do direito. São Paulo: Max Limonad, 2001.
LOSANO, Mário Giuseppe. Os Grandes Sistemas Jurídicos. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
PÉREZ LUÑO, Antonio Henrique. Cibernética, Informatica y Derecho: Un Análisis Metodológico. Bolonha: Real Colegio de España, 1976.
PIMENTEL, Alexandre Freire. O direito cibernético: um enfoque teórico e prático-aplicativo. Rio de Janeiro: Renovar, 2000.

1 de junho de 2008

Momento falta do que fazer: Grande abraço

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Começando do final,

Pois é no fim que se começa,

A espera não é eterna,

Ela tarda a findar.


Tornar-me-hei, sim, ternura

Da suave formosura,

Das palavras duras

Que a diferença encarregou-se de criar.


Certo estou que dos céus ela chegará,

Acalentará o "desmetricado" coração

E algarviará o verde-amarelo com vermelhidão.


Sarará.

Sara há.

Será!



Obs.: Este vai em homenagem ao Grande mano George, e dedicado à décima terceira estrofe.

20 de março de 2008

Meu maior sonho



Fonte da foto


Às vezes quando olho para o passado – como neste momento – vejo o quanto a vida é limitada e ao mesmo tempo infinita. Limitada em sua forma, e infinita em seus frutos. As marcas em minha face já mostram que o tempo castigou-me, deu-me a armadura das rugas, onde, lá no fundo, escondo o meu passado, escondo-me em meus sonhos perdido e dados por este mesmo tempo que me assalta os dias cotidianamente.

Vejo em casa que não estou sozinho, que ao lado dela tive tudo que sempre sonhei, tudo que sempre sonhamos os dois, juntos. Corpos diferentes, almas únicas. Vejo os meus próximos dando-me um ‘adeus’ eterno, e não me preocupo com esta armadura flácida, mas com os cavaleiros mortos na batalha da existência. Isto me dói.

Alguns verbos a intensidade me fez sentir: ter, sonhar, lutar, buscar, correr, descansar, sorrir, brincar, exaltar, chorar, mimar, remar, pescar, ‘aLuar’, amar, existir. E no verbo ‘existir’, quando escrevendo estas Linhas, lembro-me do tempo de Universidade, do saudoso professor Escorel, quando, ao responder-me um pergunta (o que é a vida?), dizia ter uma teoria. Lembro-me um pouco das suas palavras: “nós não vivemos, nós existimos. Vivemos momentos. Momentos de felicidade, momentos de tristeza. Nenhuma sensação, destas, é eterna, elas são passageiras, assim como a vida."

Ao lembrar de tudo isto aqui desta varanda, vejo que nada valeria a pena se meu sangue, neste exato momento, não estivesse a minha frente brincando com seu sangue. Nisto vejo que sou eterno, pois saber que ali sempre estarei me conforta no descanso eterno da existência.

3 de março de 2008

Mais de mil palhaços no salão

Fonte da foto


Primeiramente gostaria de me desculpar com os blogueiros viciados pela minha ausência e falta de consideração, mesmo sabendo que minhas Linhas não são lá essas coisas... Mas há doido pra tudo, ou não.
Eu estava com uns problemas em minhas hemorroidas e não conseguia ficar sentado por muito tempo, e como tenho labirintite não consigo digitar em pé, mas você pode estar se perguntando porque não pedi a alguém para fazer isto por mim, e vou responder sua importante dúvida: egoismo! É isso mesmo. Não compartilho minhas linhas com Sr. Ninguém.
Em seguida gostaria de pedir-lhe para não ler esta postagem, pois com certeza ela não fará bem à sua cognição.

Bem, deixemos de baboseiras. Vamos lá...

Muitas vezes vi um certo debate - se é que poderia ser considerado um - sobre o Carnaval. Uns dizem: "o Frevo é melhor". Outros: "sou mais o Axé". E tem quem diga: "eu sou Mangueira". Afinal, o que alegra mais a grande massa brasileira?
Baianos X pernambucanos, pernambucanos X cariocas, cariocas X baianos, ou seja, diferente X diferente (o modo como está exposto parece até um combate mortal, e para explicar melhor criarei um espaço chamado "Bula", onde, nele, transmitirei um pensamento transformado em estória para melhor elucidar Dona Linha).

Bula: "Vai começar o combate. Na parte de baixo está o Carnaval do Rio de Janeiro e suas Escolas de Samba. Na ponta de cima vem o Carnaval de Pernambuco com seu Frevo e Maracatú. Entre eles está o Carnaval da Bahia com o Axé e suas derivações reboladeiras. O combate é bastante acirrado, com oscilações na liderança. Pernambuco - a Grande Recife - inicia o embate logo com suas taxas de violência. Dá um cruzado de direito com seus lindos Córregos de esgoto no meio da cidade. Tamanho cheiro deixa Salvador e o Rio atônitos. E no mesmo embalo Salvador dispara suas taxas de desemprego e da polícia mais violenta do Brasil. Magoado, o Rio imediatamente contra-ataca com suas facções criminosa organizadas. Mas Recife ainda tem uma carta na manga. E lá vêm os tubarões de Boa Viagem.
É uma batalha secular meus amigos!"


O que há de tão especial no Carnaval que faz com que esqueçamos a realidade (socialmente falando)?
Compartilho do mesmo pensamento do antropólogo Roberto Damatta, em sua obra "O que faz do Brasil, Brasil?", onde o autor expõe seu raciocínio acerca do Carnaval, e o poder que este tem de modificar a rotina diária dos brasileiros.
Esquecer dos problemas cotidianos; tirar os uniformes; se tornar igual aos outros (somente mais um folião); se libertar da hierarquia social. Tudo isto em apenas alguns dias. E que dias...
Como diz Chico Buarque na canção "sonho de um Carnaval".

"Carnaval, desengano

Deixei a dor em casa me esperando

E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano"

Na quarta-feira tudo volta ao normal. Voltamos às formalidades; tornamo-nos desiguais; decrescemos na hierarquia; deixamos de ser "reis". E todos os problemas da vida diária saltam aos olhos novamente.
Será que a vida é somente no Carnaval e os outros dias é que não fazem parte da verdadeira realidade? Será? Será que as fantasias e as mortalhas são as verdadeiras fantasias? Ou seria o paletó a grande fantasia? Será mesmo que o Carnaval é a ilusão? Ou seria esta imposição do modo de produção capitalista? Quando será que a quarta-feira vai chegar?
Bom seria se vivêssemos um Carnaval diário. Todos os dias dançando Frevo, Axé, vendo a Mangueira passar e sendo pouco mais lúcidos.
Isto me arrancou suspiros. Não sei se de esperança ou de alívio.

Até a próxima Micareta - realidade (ou fuga) fora de época.

"Quanto riso, ah, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
O Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão".

11 de janeiro de 2008

Momento falta do que fazer: Enila

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Enila

Este peito cá bate mais forte.
Numerosos são seus gritos
Instantes de euforia
Leve como um chumbo alado
Anormal

Asas
Leves asas
Intensos vôos
Nuvens roxas
Enamoradas

Acontece minha cara,
Levo no peito muito disto
Insanidade não é loucura
Nostalgia é Legião
E logo, aí, estou

E o caminho da felicidade pode ser ali
Não tem gravidade
Inversão de papeis
Livre
Ali, né?

9 de janeiro de 2008

Momento quatro-linhas: É da entrada da área

Clique aqui e veja o vídeo

"É falta na entrada da área
Adivinha quem vai bater
É o camisa 10 da Gávea
É o camisa 10 da Gávea
Ele tem uma dinâmica física rica rítmica
Seus reflexos lúcidos
Lançamentos dribles desconcertantes
Chutes maliciosos são como flashes eletrizantes
Estufando a rede num possível gol de placa
Estufando a rede num possível fol de placa"


Estas linhas acima, da música Camisa 10 da Gávea, de Jorge Bem, descrevem perfeitamente quem foi e quem é Arthur Antunes Coimbra, também conhecido como o Galinho de Quintino, mas, para os íntimos da bola, é o Grande Zico.
Não o vi jogar, não o vi encantar, não o vi ser o Zico, mas saudoso fico em meus sonhos das tardes de domingo no Maracã. Vejo neles uma mágica do homem que virou ídolo, e que virou mito, eterno.
Trocaria alguns dias vividos por uma única tarde daquela dos meus sonhos...

Falta perto da entrada da área! Agitação dos adversários, muita confusão, e o arqueiro tenta organizar a parede à sua frente.
A Geral enlouquecida grita como já sabendo o resultado de tal efeito.
Ele ajeita com carinho a redonda. Três passos pra trás. Mão na cintura...
Ao som do apito a torcida se cala.
Ele vai majestoso ao encontro da bola, a bola de encontro às redes e ele de encontro à torcida. É gol!
Ele soca o ar com seu punho direito e o deixa erguido, como se do céu caísse sua inspiração.
É do Camisa 10 da Gávea! Assina Zicão!

Não é preciso viver para se ter saudade. Às vezes grandes sonhos, mesmo que não sejam nossos, mesmo que não tenhamos sonhado, e que não tenham sido vividos, nos deixam saudade. Você foi um sonho, que jamais será sonhado ou vivido novamente.
Deixou saudades...

7 de janeiro de 2008

Momento falta do que fazer: É lá e cá

É lá e cá

E cá estou
E lá, ela

E cá os sonhos
E lá as pedras

E cá as rosas
E lá os espinhos
E cá a vida
E lá o caminho

Rápido rastejo
Devagar a finto
Vulgar que sou
De fato minto

Sonho vivido
Roupa usada
Sapato velho
Da Alma Penada

E cá está ela
E lá, eu
E as pedras nas rosas
E os caminhos da vida

5 de janeiro de 2008

Momento falta do que fazer: Nosso Mundo

Nosso Mundo


Tornarei Seu Mundo mais teu
Um pouco meu
Um tanto nosso

Basta a porta abrir
A brisa entrar
O voou seguir

Quero ver-te livre
Quero ver-te alto
Quero sentir-te perto

Asas hei de dar-te
Hei de cultivá-las
Basta a porta abrir

Viverei num Mundo menos meu
Um pouco teu
Um tanto nosso

1 de janeiro de 2008

Analisando: Parafuso de cabo de serrote



Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Essa é a auto-definição que o poeta paraibano Jessier Quirino faz de si. O matuto poeta (ou poeta matuto) consegue, de maneira simples, mas rica em detalhes, mostrar o dia-a-dia da vida sertaneja, e como um sertanejo vê o seu próprio mundo.
Na declamação "Parafuso de cabo de serrote" ele descreve uma tradição em cidades interioranas do Nordeste: uma bodega (em outras regiões de país é conhecido como armazem). Lá vende-se de tudo um pouco, principalmente no dia da feira.
Aos que tiveram ou têm contato com esse mundo, há uma maior facilidade em visualizar em mente a imagem na letra.

Recomendo que antes de ler baixe a música aqui e a companhe com o audio.

Bom sonho!






Parafuso de cabo de serrote

Tem uma placa de Fanta encardida
A bodega da rua enladeirada
Meia dúzia de portas arqueadas
E uma grande ingazeira na esquina
A ladeira pra frente se declina
E a calçada vai reta nivelada
Forma palmos de altura de calçada
Que nos dias de feira o bodegueiro
Faz comércio rasteiro e barateiro
Num assoalho de lona amarelada.

Se espalha uma colcha de mangalho:
É cabestro, é cangalha e é peixeira
Urupema, pilão, desnatadeira
Candeeiro, cabaço e armador
Enxadeco, fueiro, e amolador
Alpercata, chicote e landuá
Arataca, bisaco e alguidar
Pé de cabra, chocalho e dobradiça
Se olhar duma vez dá uma doidiça
Que é capaz do matuto se endoidar.

É bodega surtida cor de gis
Sortimento surtindo grande efeito
Meia dúzia de frascos de confeito
Carrossel de açúcar dos guris
Querosene se encontra nos barris
Onde a gata amamenta a gataiada
Sacaria de boca arregaçada
Gargarejo de milhos e farelos
Dois ou três tamboretes em flagelo
Pro conforto de toda freguesada.

No balcão de madeira descascada
Duas torres de vidro são vitrines
A de cá mais parece um magazine
Com perfume e cartelas de Gillete
Brilhantina safada, canivete
Sabonete, batom... tudo entrempado
Filizolla balança bem ao lado
Seus dois pratos com pesos reluzentes
Dá justeza de peso a toda gente
Convencendo o freguês desconfiado.

A Segunda vitrine é de pão doce
É tareco, siquilho e cocorote
Broa, solda, bolacha de pacote
Bolo fofo e jaú esfarofado
Um porrete serrado e lapidado
Faz o peso prum março de papel
Se embrulha de tudo a granel
E por dentro se encontra uma gaveta
Donde desembainha-se a caderneta
Do freguês pagador e mais fiel.

Prateleiras são tábuas enjanbradas
Com um caibro servindo de escora
Tem também não sei qual Nossa Senhora
Com um jarrinho de louça bem do lado
Um trapézio de flandres areados
Um jirau com manteiga de latão
Encostado ao lado do balcão
Um caneiro embicando uma lapada
Passa as costas da mão pelas beiçadas
Se apruma e sai dando trupicão.

Tem cabides de copos pendurados
E um curral de cachaça e de conhaque
Logo ao lado se vê carne de charque
Tira gosto dos goles caneados
Pelotões de garrafas bem fardados
Nas paredes e dentro dos caixotes
Tem rodilha de fumo dando um bote
E um trinchete enfiado num sabão
Bodegueiro despacha a um artesão
Parafuso de cabo de serrote.

25 de dezembro de 2007

É o Natal, então

Não penso em fazer deste espaço um diário virtual, mas o que passei hoje foi diferente. Diferente a ponto que me vi obrigado a fazê-lo.
Não tenho experiência nisso, mas vamos lá...

Querido Diário,

Hoje é Natal querido Diário. Todo mundo diz ''feliz Natal!'' para as pessoas. Várias vezes já me perguntei quantos ''feliz Natal!'' são ditos neste dia na terrinha azul. Eu fiz uns cálculos aqui: digamos que existam 6 bilhões de pessoas no Mundo, e que destes levo em consideração os ocidentais cristãos. Será que a metade? Vou ficar com a metade então. 3 bilhoes. Destes 3 bilhões “natalizados”, eu retiro os anti-capitalistas, os descrentes e os correligionários opositores. Será que dá uns 100 milhões destes? Retiro também as crianças, os caducos e alguns com problemas mentais. Acho que sobram 2 bilhões. Será só isso? Talvez mais, talvez menos (Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?). Pois bem, destes 2 bilhões cada um fala no mínimo 100 vezes ''feliz Natal!'', isto levando em consideração todo o avanço tecnológico da informática e Internet. Resultam disto 200 bilhões de ''feliz Natal!'' neste dia. Algo estupendo! Mas não tem relação nenhuma com o que me aconteceu hoje. Era só curiosidade mesmo.

Pois vamos aos fatos.

Hoje fui ao banco logo pela manhã. Sai de casa por volta das 9h em direção a parada de ônibus. De longe avistei um Sr com um paletó preto e um chapéu. Quando me aproximei reparai melhor na roupa dele. Paletó e calças pretas, ambos com pequenas listra brancas na vertical, e uma camisa branca. O que mais chamou atenção foi o que aconteceu logo em seguida.
Na parada estavam algumas pessoas. Acho que 8 no máximo. Uma Sra vendendo doces, algumas crianças com uma mulher, um casal jovem e uma outra jovem.
Então o Sr, aparentando ter mais de 80 anos, começou a cantarolar uma música que não conheço. Ele cantarolava e brincava com as crianças. No mesmo instante vi que ele as conhecia. Então ele se dirigiu, ainda cantarolando, ao casal que estava a minha frente, cantou uma parte que era parecido com isto: ''vou vagando pelo mundo atrás de um amor''. De imediato ele parou e disse:

- Ah, hoje já não posso mais procurar. Já estou viúvo.

Não entendi muito bem, mas ele prosseguiu.

- A gente tem tudo e ainda assim reclamamos.

Ele olhou para mim e disse:

- Não é?!

E eu:

- É... (Vou contrariar?).

No outro lado da rua tinha um homem de muletas. Ele Não tinha parte de uma das perna. O Sr olhou para ele e nos disse:

- Olha isso. Tá vendo só? Eu não queria ficar assim. Se estivesse queria que a vida me levasse. Fui convocado em 39 e passei por muitas, mas tô aqui ainda em forma.

E
lá vem o ônibus. Não era o meu, mas era o do Sr. Tive uma imensa vontade de pará-lo e perguntar qual seria o seu maior sonho. Pensei que ele poderia perder o ônibus, e acabei não perguntando. Acho que esta foi uma das maiores frustrações da minha vida.
Pouco depois o ônibus que eu esperava chegou. No caminho fique imaginando qual seria a resposta do Sr: ''ganhar na Mega Sena'', ''ter minha veia de volta',' ''ter mais cabelo e menos despesas'', ''arrumar uma mulher de 20''. E por ai vai.
Por vezes dei risada sozinho olhando o nada pela janela. Mas comecei a observar as pessoas nas ruas, e via nelas várias deficiências como a do homem do outro lado da parada. Via cegos, surdos, mudos, ou os três na mesma pessoa. Via pessoas sem cabeça, sem Sistema Circulatório, sem moral. Todos amputados.
Resolvi os imbróglios no banco e chispei para casa. Lá comecei a desenvolver o meu plano já arquitetado: arrumar as coisas e ir pescar.
Sai de casa por volta das 17h com destino não muito estabelecido, de inicio sabia que era a praia. E lá fiquei nos limões por um bom tempo. Vi a Lua nascendo bastante avermelhada, vi que não haviam pessoas na praia neste dia, vi um mar bastante calmo, maré secando e os 5 bagres que peguei – Estes dei a uma criança que havia me pedido dinheiro.
Pensei bastante nos momentos em que estava pescando. Pensei bastante naquele Sr e em todas as pessoas que vi pela janela do ônibus. Pensei em minha família – que naquele momento deveriam estar dando risada de alguma insanidade que vinha vó falara. Pensei nas coisas que me aconteceram nos últimos e nos novos tempos, principalmente nos últimos dias.

Algumas coisas percebi: que muitos ônibus passam em nossas vidas, e é sempre bom saber escolher em qual entrar e onde descer; que podemos perder algumas partes do corpo sem nem mesmo percebermos; que de vez em quando é elegante usar chapéu; que a Lua manda mensagens; que é preciso ter mais cuidado com bagres; que não se deve perder muito tempo em cálculos demasiado longos; que onde menos se espera pode-se encontrar algo que te faz dar mais um passo.

O dia de hoje, dentre essa tal data, em minha vida, foi um dos melhores sem dúvida. Desde as horas que não durmi até as horas que ainda não durmi.

Não cheguei a nenhuma conclusão concreta – como era de se esperar – mas quem sabe na próxima pescaria.

Até a próxima querido Diário. E espero que demore...

22 de dezembro de 2007

Um limão, e meio limão


Lá fico eu a olhar a linha. Vezes fixamente, por outras nem tanto. Não saberia dizer o ''porquê'' de estar ali, mas mesmo assim fico. Imagino que deva ser por causa da brisa que sopra em minh'alma e me faz flutuar por dentro. Ou seria por tentar, ali naquele momento, me sentir parte daquela imensidão? Penso que são as duas coisas: ter asas e ao mesmo tempo cair.
Eu, desde pequeno, sempre quando estou fazendo isto, fico cantarolando algo do tipo: ''um limão, e meio limão, dois limões, e meio limão...''. Isto, de fato, não saberia explicar.
Até o momento em que eu sinto a linha vibrar, até antes disto, não sei bem definir onde meus pensamentos se encontram. Vagueiam pelas ondas, ou são levados pelo vento, ou mesmo, estão ali e não os vi, de certo cego pela linha, ou pelo que viria depois que ela vibrasse.
Antes da linha vibrar fico livre. Ganho asas naquele momento. Momento único em minha vida. Mas tudo termina até que a linha vibre. Depois que ela vibra tudo se vai, e volto eu a fixar meus olhos na fim da linha. Depois que ele sai d'água, meu Mundo des'água. Mas é por ele que estou ali. Ou será por mim mesmo? Sinceramente não sei porque ainda pesco.

19 de dezembro de 2007

Do lado de dentro


Outro dia Dipsy estava usando uma camisa com esta frase; ''O mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível''. Dipsy percebeu que eu fiquei numa espécie de estado catatônico, e por um momento uma gosma - acho que era baba - escorria pelo canto da boca. A bendita frase me deixou assim.

- De quem é esta frase em sua camisa?
- De um coroa ai com um bigode sinistro.
- Hitler?
- Acho que não, mas ele é de lá daquelas bandas.

Fiquei calado por alguns segundos pensando.

- Quem te deu essa camisa?
- Minha vó.
- Dona Nóia comprou aonde?
- Só perguntando a ela...

Na mesma noite sonhei com aquela frase. Vi alguns sujeitos barbudos e outros com bigodes avantajados, todos juntos, como numa masturbação mental, dizendo: ''o mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível. o mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível'. Parecia aqueles filmes de Sessão da Tarde sobre zumbis: ''me dê sua alma''.
Pela manhã Dipsy ainda usava a mesma camisa. Quando estávamos à mesa, eu relembrava do sonho. Olhei para a margarina e disse.

- Me passa o compreensível.

Dipsy com seu humor de novela mexicana não perdoou.

- Só se eles entenderem...

Comi aquelas torradas como se mastigasse uma tonelada de teorias e explicação sobre o que é a realidade, e como ela se formula. A cada ensopada de margarina que eu dava os ''X's'', ''Y's'' e aqueles barbudos cruzavam a minha cabeça. Eu os vi dando lingua para mim. Fechava meus olhos e via um senhor de meia idade, bigodudo e descabelado, estava postado a frente de uma lousa com algo do tipo escrito: E = mc². Eu já me sentia com uma espécie de estresse pós-traumático.
Dipsy levantou e seguiu em direção a cozinha. Na mesma camisa, na parte de trás, estava escrito: ''veja pelo lado bom, com esquizofrenia você nunca está sozinho".

17 de dezembro de 2007

Depoimentos

Depoimento de Patrícia.

Gostaria muito de agradecer a vocês por terem me ajudado nesse momento tão difícil da minha vida. Foi muito difícil ficar limpa por tanto tempo. Nunca imaginei que conseguiria, mas hoje vejo que com vocês tudo é possível.
Eu comecei a usar por causa de umas amigas que me mostraram. Elas diziam: "mulher, isso é bom demais!" Comecei pelo básico, sabe? Quando me vi estava completamente viciada.
Confesso que a primeira vez que usei foi por causa do Maurício. Eu sabia que ele usava bastante, então, para conhecer melhor o que o gatinho do Maurício fazia, entrei de cabeça. No início parecia tudo maravilhoso, muitas cores, muitos coisas se mexendo, e aqueles bichinhos então! Muito fofo.
Meu pai reclamou tanto comigo, eu tola não percebi que ele estava certo. Ele sempre dizia: "filha, isso vai te fazer mal, tenha cuidado com essas coisas."
Uma vez aconteceu até um caso estranho. Encontrei minha mãe entre umas rodas dessas que freqüentava. Foi algo diferente, mas naquele momento percebi que não estava sozinha. Não sei se estar compartilhando das mesmas coisas com a minha mãe, e por ser a minha mãe, me trazia mais segurança. Acho que era isso. Minha mãe pediu para guardar segredo, foi o que fiz, e me arrependo disto também.
As coisas começaram a ficar complicadas quando meu pai me chamou para conversar e disse: "filha, você está vendo no que está se tornando? Você não faz mais nada do que fazia antigamente. Só quer saber dessa vidinha de ilusão. Eu sempre disse que isso acabaria te fazendo mal. Veja só seus olhos como estão vermelhos! Chega, vou acabar com isso!"
Foi neste dia que as coisas mudaram. Neste dia percebi quanto tempo da minha vida eu havia perdido. Mas hoje estou limpa! Uma semana já.
O ruim é essa fase de abstinência. Eu fico me tremendo às vezes, as mãos ficam suando e a mente não para de imaginar um monte de coisa. Dai eu me pergunto: "quantos scraps será que deixaram no meu Orkut?".

12 de dezembro de 2007

Perguntas sem respostas

"O homem pensa que ele é o único com passado. Meu pai gostava de dizer que eram coisas da vida, que não têm e nunca poderiam ter sentido. E se tinha algo de inteligente que sabia, pelo seu trabalho, era de nunca se render, continuar tentando manter o sentido das coisas, tentando entender as coisas que nunca poderiam ser entendidas. Suponho que encontrará sempre pessoas com diferentes explicações para suas respostas... pelo que as coisas são... Suas perguntas sempre serão as mesmas. E o mais importante, mesmo que não saibamos as respostas ainda sim devemos continuar fazendo as perguntas."

Pensamentos de Allie - Taken (serie de Steven Spielberg)





As pessoas buscam respostas diariamente. Perguntas que não podem ser respondidas, e quando são, mudam-se as perguntas, como num equilíbrio distante.

Por que o homem se deleita em procurar o desconhecido aos seus olhos?

Penso que essa busca seja o motor da evolução do homem como Homem. Entender o inatendível é ter a capacidade de criar e recriar condições para que as modificações na formação da sociedade possam se realizar.

Faço minhas as palavras do Prof. Artur Perrusi em uma postagem em seu Blog (ótima por sinal), onde a seguinte teoria é exposta de maneira compreensível: “Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve Deus e por que está aqui, Ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável”.

Onde está o limite do homem? Nas limitações da sua própria mente ilimitada? Ou na constante insatisfação do que parece ser real?

Perguntas difíceis de serem respondidas. Perguntas sem respostas...

28 de novembro de 2007

Areia seca


Sonhei montado num cavalo correndo, o suor escorrendo por baixo da armadura de couro, e o boi na minha frente cortando a caatinga. Senti naquele momento que estava livre, livre não sei do que, mas me senti assim. Pensei imediatamente na minha família que me esperava em casa, as crianças pequenas esperando comida e água, minha mulher que tentava fazê-las dormir e o tempo passar mais rápido. Estou mesmo livre?
Olhei a minha volta e vi um chão calejado desenhando rugas, surrado pelo tempo do nada. Por um momento a brisa seca e quente soprou e se abriu na minha face desfeita. Desfoquei meu olhar do rabo do boi quando vi um majestoso cacto. Parecia-me cortar as escamas a beleza de tal orquídea sertaneja. Perguntei-me novamente: Estou livre?
Na espreita dos meus movimentos uma ave me seguia. Percebi pelas penas e pelo bico alongado que a vontade dela era penetrar suas garras em meu couro suado. Carca, Carcá, Carcará. Livre?
Foi meu cavalo, num longo relinchado, que me fez acordar. Vi, por cinco segundo, que minha labuta vale há pena.

27 de novembro de 2007

Louco é você!

"As novas idéias são primeiramente ignoradas, depois ridicularizadas, depois violentamente combatidas, depois são tomadas como evidentes, justamente pelos que as combatiam"

Schopenhauer


Por tanto meu amigo, se você ainda sonha em ir a Lua num cavalo alado puxar o rabo do Dragão, tenha fé!

25 de novembro de 2007

Momento quatro-linhas: festa, suor e sangue

Final de semana cheio de emoções no futebol brasileiro, e, em especial, no futebol baiano. O Vitória já havia conquistado a duas semanas a vaga na Série A, a elite do futebol brasileiro, terminando na 4ª colocação, o Bahia dependia de apenas um empate hoje na Fonte Nova para subir para a Série B, e foi justamente este o resultado. Comemoram neste final de semana também a torcida do Flamengo e do Santos, ambos classificados para a Libertadores da América 2008, juntando-se ao São Paulo, que recebeu a Taça de Campeão Brasileiro de 2007. Na Séria A resta apenas uma vaga para a Libertadores, sendo disputada por Palmeiras com 58 pontos, e Cruzeiro e o Grêmio com 57 pontos. O Palmeiras depende apenas das suas forças para classificar-se para a Libertadores 2008, basta apenas uma vitória simples sobre o Atlético-MG no Palestra Itália, resultado este praticamente certo.
Briga boa também está na parte de baixo da tabela. Corinthians e Goiás lutam para não se juntar ao América-RN, Juventude e Paraná, este último quase rebaixado, dependendo de um milagre para não cair.

Vamos às comemorações...

O Vitória já comemora a mais de uma semana a merecida vaga na elite do futebol brasileiro. Com uma excelente campanha que ou os torcedores baianos a lotarem o Barradão, o Vitória volta a disputar a Primeira Divisão após amargurar uma queda para a Terceirona a dois anos. Essa queda ajudou muito o E.C. Vitória, pois as pessoas que estavam no poder saíram, possibilitando uma reestruturação na organização do clube.
Parabéns Leão da Barra!

Distante alguns quilômetros do Barradão, a Fonte Nova fez a festa no empate em 0 a 0 contra o Vila Nova-GO, resultado que colocou o Bahia na Séria B com uma rodada de antecedência. O Bahia amargurou, juntamente com o Vitória, a queda para a Terceira Divisão, e permaneceu lá por 2 anos seguidos. Essa página na história do clube serviu para mostrar o quanto a sua torcida é apaixonada, pois esteve com o time desde o início, e hoje comemoram a subida de Divisão. Imagino que os torcedores neste momento que escrevo estão banhando-se no Dique do Tororó, e agradecendo a todos os Orixás pelo presente de Natal antecipado.
Parabéns Bahia!

Mas neste jogo não houve apenas festa. Torcedores invadiram o campo, destruíram placas de publicidade, roubaram as redes, e nem a grama escapou, os torcedores retiram o gramado como se este fosse coberto de graças.
Outro fato que merece destaque foi a queda de uma parte do piso do anel superior da Fonte Nova. 8 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas. Um incidente que pode manchar a candidatura da capital baiana a uma das sedes de jogos da Copa do Mundo de 2014. Com sangue fica o exemplo para as autoridades começarem a tomar medidas que possibilitem uma maior segurança para os torcedores.


Outra torcida que está em festa é a Nação Rubro-Negra. O Flamengo conseguiu hoje a classificação heróica para a Libertadores 2008. Um time que a poucos mais de três meses amargurava a penúltima colocação do Brasileirão e conseguiu recuperar-se chegando hoje a 3ª colocação e já classificado com uma rodada de antecedência merece os parabéns.

Mas quem deu show no Maracanã foram os torcedores que caminharam junto com a equipe desde as chacotas pela vice lanterna carregada por algumas rodadas.
Hoje o Flamengo ainda tem condições de sagrar-se vice campeão, fato merecedor de glória pela trajetória feita pela equipe.
Parabéns Mengão!

Termino aqui deixando um grande abraço, em especial, aos torcedores do Vasco com uma música ecoada no Maracanã: "chora vascaíno o sonho acabou, Libertadores sou eu quem vou!"

Saudação rubro-negra e amante do futebol baiano.