15 de julho de 2007

Cabresto Democrático


Imagine, Camarada Companheiro, nossa infantil Democracia, que ainda está aprendendo a dar os primeiros passos, regulamentasse o voto facultativo. Seria uma evolução democrática para nossa República?
Hoje o voto para brasileiros maiores de 16 anos é facultativo, e brasileiros maiores de 18 anos é obrigatório. Mas em muitos meios de comunicação e em determinadas camadas da sociedade brasileira existe um debate sobre esse assunto.

VOTAR*
v. tr., aprovar ou eleger por meio de voto; prometer por meio de voto ou solenemente; fazer voto; consagrar; conferir; outorgar; conceder; destinar; sacrificar;

v. int.,
manifestar, o que sente ou pensa, por meio de voto; dar ou emitir voto; jurar;

v. refl.,
dedicar-se; sacrificar-se; aventurar-se; arriscar-se.

FACULTATIVO*
adj.,
que dá a faculdade ou o poder de; que permite que se faça ou não se faça uma coisa;


Temos então que: é a faculdade de conferir uma escolha através de uma ação - o ato de votar.
Mas como se chega a essa faculdade?

FACULDADE* do Lat. facultate
s. f.,
força física ou moral que torna a pessoa capaz de actuar e de produzir certos efeitos; propriedade; qualidade; permissão; aptidão; facilidade; destreza; capacidade; direito, potência moral ou psicológica; autorização de fazer alguma coisa; escola superior onde se ensina qualquer um dos grandes ramos de saber; (no pl. ) posses; (no pl. ) bens; (no pl. ) riquezas; (no pl. ) possibilidades; (no pl. ) meios de acção.


Pela minha interpretação, o voto facultativo é uma ação onde se tem consciência da importância do voto para a sociedade, e esse voto é regulamentado por uma "potência moral ou psicológica". Ou seja, que cada um tem o conhecimento devido daquilo que está fazendo.

Não generalizando...
Diga isso às sonhoras que chegam do trabalho ou terminam seus serviços domésticos, e logo em seguida sentam-se à frente da TV para assistirem telenovela.
Diga isso àqueles que, no final do dia, depois de uma jornada de trabalho cansativa, peferem desfrutar de uma cerveja gelada no buteco da esquina a ler um jornal.
Diga isso ao homem do campo, o sertanejo, o caipira, aqueles que vivem num mundo mitológico do "faz-de-conta", onda a única realidade é a labuta diária.
Diga aos novos jovens, a cada dia mais individualistas (conceituação sociológica moderna), vivem em busca de um sonho vendido de status social.
Diga também a classe dominante, aquela que espera o melhor momento para mostrar o seu poder, que a cegueira já nos deixou débeis.

É contraditório dizer que temos o "direito" de escolher em quem votar, e, por vivermos num país livre, também temos o "direito" de não votar. Mas você se sente livre mesmo? Essa roupa que você está usando enquanto lê essas linhas foi você mesmo que escolheu? E o filme que está no cinema, aquele que ganhou o Oscar, é o "melhor filme" que você já viu? E aquela música que não para de tocar no rádio, que martela sua cabeça? E o novo modelo de celular? E a nova bunda? Tem certeza? Qual seu nome? Lembra?

Cuidado para não colocar novamente o cabresto Camarada Companheiro, muido cuidado nessa hora...